Saúde Renal em Pauta: Comunidade de Arraial do Cabo se Une contra a Doença Silenciosa
Palestra realizada na sede da Cescap reuniu moradores, profissionais de
saúde e especialistas para debater prevenção da insuficiência renal e os
caminhos até a hemodiálise.




Não foi preciso ir longe para encontrar respostas sobre uma das doenças
que mais crescem em silêncio no Brasil. No sábado, 9 de maio de 2026, a
sede da Cescap, no Distrito de Parque das Garças, em Arraial do Cabo,
transformou-se em um espaço de aprendizado, escuta e reflexão.
Moradores do bairro e de municípios vizinhos chegaram com dúvidas — e
saíram com conhecimento que pode, literalmente, salvar vidas.
A ocasião foi a palestra sobre Prevenção de Doenças Renais, evento promovido com o
apoio da SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia) e do MNU RJ (Movimento Negro
Unificado). O encontro reuniu nomes expressivos da saúde pública local,
representantes comunitários e, sobretudo, pessoas que convivem diariamente com a
realidade da insuficiência renal — seja como profissionais, seja como pacientes.
Uma mesa de diálogo que representa a comunidade
A composição da mesa já dizia muito sobre o alcance do evento. O secretário de saúde
de Arraial do Cabo, Sr. Jorge Diniz, sentou-se junto ao presidente do Instituto Paz, Sr.
Dourival, em um gesto que simbolizou a convergência entre poder público e sociedade
civil. Ao lado deles, a Sra. Cris Brasil, coordenadora e instrutora do curso de
Hemodiálise da Escola Destake, e a Sra. Vera Silveira, diretora geral das unidades de
Araruama, Rio das Ostras e Nova Iguaçu da mesma instituição, trouxeram o olhar
técnico e pedagógico sobre o tema.
A representação comunitária ficou por conta do Sr. Marco Aurélio, da Associação de
Moradores do Parque das Garças e da APESCARPGIN, e das assistentes sociais e
diretoras da associação, Sra. Mônica e Sra. Joana. O enfermeiro Sr. Helder da Silva,
especialista em Saúde da População Negra, também integrou o painel — e sua presença
não foi por acaso: a vulnerabilidade desta população frente às doenças renais é um
dado que a ciência já não pode ignorar.
Mas os rostos que mais tocaram a plateia foram os de quem viveu na pele o que estava
sendo discutido: a Sra. Sueli, que hoje realiza sessões de hemodiálise, e a Sra. Cilange,
que passou por um transplante renal em março de 2020 — em plena pandemia de
Covid-19. Suas histórias deram concretude ao debate e emocionaram os presentes.
Antes mesmo de começar: a saúde em prática
Antes de a palestra ser oficialmente aberta, profissionais de saúde já estavam em ação
no espaço: aferição de pressão arterial e medição do nível de glicose dos participantes
foram oferecidas gratuitamente. Um gesto simples — mas que, como o evento logo
demonstraria, é exatamente o tipo de cuidado preventivo que pode mudar destinos.
Entendendo a doença: do rim saudável à hemodiálise
Com linguagem acessível e didática, a palestrante Cris Brasil conduziu o público por
uma jornada de entendimento sobre como os rins funcionam, quando falham e o que
acontece quando o organismo precisa de ajuda para filtrar o sangue. Segundo ela, a
hemodiálise — procedimento que substitui a função dos rins — tem como principais
causas desencadeadoras a hipertensão arterial e o diabetes. “Existem outras fontes,
mas essas são as principais”, destacou.
Para tornar o conteúdo ainda mais próximo da realidade dos participantes, foi exibido
um vídeo animado — disponível no YouTube — protagonizado por personagens
chamados Rinaldo e Renaldo, dois rins que, de forma bem-humorada e ilustrativa,
explicam o caminho percorrido até o organismo chegar ao estágio em que a
hemodiálise se torna necessária. A escolha da ferramenta surtiu efeito: a plateia
assistiu atenta, e as risadas não impediram que a mensagem chegasse com clareza.
Vozes de quem vive o tratamento
Se os dados e os recursos audiovisuais informaram, foram os relatos humanos que
emocionaram. A Sra. Sueli, que frequenta sessões regulares de hemodiálise, dividiu
com os presentes sua rotina e os desafios de conviver com um tratamento intenso e
contínuo. Já a Sra. Cilange surpreendeu ao contar que recebeu um transplante renal
em março de 2020 — período em que o Brasil e o mundo estavam no auge da crise
sanitária da Covid-19. Sua história de superação arrancou aplausos e lágrimas da
plateia.
Perguntas, respostas e uma tarde que valeu a pena
O espaço aberto para perguntas e respostas foi um dos momentos mais ricos do evento.
Moradores levantaram dúvidas sobre sintomas, alimentação, exames preventivos e
acesso ao tratamento — e encontraram respostas atentas de especialistas dispostos a
ouvir. Ao final, o sentimento era unânime: valeu a pena ir ao encontro do
conhecimento.
A palestra deixou uma mensagem clara: cuidar dos rins não começa na clínica de
diálise. Começa na medição da pressão, no controle do açúcar no sangue, na consulta
regular com um médico. Começa exatamente onde aconteceu o evento — na
comunidade, entre vizinhos, com informação de qualidade ao alcance de quem mais
precisa.


