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Historias 360 Rio

FUNK CARIOCA DOS ANOS 2000

A década em que os bailes conquistaram o Rio, os DJs viraram estrelas e uma batida nasceu para ficar na memória

Por Oziel R. Santana — Redator-Chefe da Revista Bastidores 360 Rio

Havia uma época em que bastava o DJ soltar os primeiros segundos da música para a pista inteira responder.

Antes do streaming, antes dos milhões de visualizações e dos grandes festivais, o funk carioca tinha seus próprios caminhos para chegar ao público: os bailes, os DJs, as equipes de som, os CDs, as rádios comunitárias e o boca a boca.

Era o Rio de Janeiro dos anos 2000.

Uma cidade que, principalmente nos fins de semana, se transformava ao som de graves poderosos, batidas aceleradas, MCs, dançarinos e multidões que faziam dos bailes um dos maiores fenômenos culturais da cidade.

E quem viveu sabe: não era apenas música. Era uma experiência.

OS GRANDES SUCESSOS QUE PARAVAM OS BAILES

A década foi marcada por músicas que atravessaram comunidades, bairros e classes sociais.

“Cerol na Mão”, do Bonde do Tigrão, tornou-se um dos grandes símbolos daquele período. MC Marcinho, com seus funks melody e canções românticas, conquistou uma legião de fãs. MC Sapão, com seu estilo irreverente, também se transformou em uma das vozes mais lembradas daquela geração.

E havia muitos outros nomes que faziam parte da trilha sonora daquele Rio: MC Leozinho, MC Catra, Tati Quebra-Barraco, Deise Tigrona, Bonde das Primas e Os Hawaianos, entre tantos artistas que ajudaram a construir essa história.

Cada música tinha uma dança.

Cada baile tinha uma identidade.

E cada DJ tinha sua maneira de fazer a multidão vibrar.

OS DJS: OS COMANDANTES DA PISTA

denis-dj-furacao-2000 Historias 360 Rio

O Dennis DJ

Antes de o artista subir ao palco, havia quem preparasse o terreno.

O DJ era o comandante da festa.

Era ele quem conhecia o momento certo de aumentar o grave, apresentar um lançamento, colocar uma sequência de sucessos ou fazer a pista explodir.

Nas comunidades e nos grandes bailes, DJs se transformaram em verdadeiras referências.

Eles não eram apenas responsáveis por tocar músicas. Eram pesquisadores, produtores, animadores e criadores de tendências.

EQUIPES DE SOM: UMA MARCA DO FUNK CARIOCA

furacao-200 Historias 360 Rio

Quem fala dos anos 2000 não pode esquecer das grandes equipes de som.

Elas eram responsáveis por levar potência, estrutura e identidade aos bailes.

Nomes como Furacão 2000, Big Mix, Pipo’s e Curtisom, entre outras equipes, fizeram parte do imaginário de uma geração.

A Furacão 2000, em especial, tornou-se uma das marcas mais importantes da história do funk carioca, ajudando a divulgar artistas, produzir eventos e levar o gênero para além dos limites das comunidades.

Os equipamentos de som eram gigantes.

Os paredões impressionavam.

E quando as luzes se apagavam e o DJ assumia os toca-discos, começava o espetáculo.

JULIANA FOGOSA: UM NOME QUE FICOU NA MEMÓRIA

Entre os personagens que fizeram parte do universo do funk daquela época está Juliana Fogosa, lembrada por muitos fãs como uma figura marcante do movimento e da estética dos bailes dos anos 2000.

Sua presença ficou associada ao universo performático e à atitude que ajudaram a definir uma geração do funk carioca.

Juliana Fogosa também representa um período em que o funk começava a criar suas próprias celebridades, personagens e referências, muito antes da força das redes sociais.

Para quem viveu aquela época, determinados nomes não precisam de apresentação: basta serem lembrados para trazer de volta uma parte daquela atmosfera.

QUANDO O CD ERA O STREAMING

cdfuracao2000 Historias 360 Rio

Hoje uma música viraliza em poucos minutos.

Nos anos 2000, era diferente.

Uma música podia ser gravada em um CD, reproduzida em uma festa, copiada por um amigo e rapidamente ganhar os bairros do Rio.

As coletâneas eram disputadas.

Os CDs circulavam pelas mãos.

E muitas vezes o público sabia a música inteira antes mesmo de conhecer o nome oficial do artista.

Era a internet antes de a internet dominar a música.

O FUNK MELODY

capado-cd-furacao2000 Historias 360 Rio

Outro capítulo fundamental foi o funk melody.

Canções românticas e dançantes aproximaram ainda mais o funk de um público amplo.

MC Marcinho tornou-se um dos grandes representantes dessa vertente, com músicas que falavam de amor, relacionamentos e sentimentos sem abandonar a batida característica do gênero.

Foi uma das portas que ajudaram o funk a chegar às rádios, à televisão e a públicos que antes não frequentavam os bailes.

A POLÊMICA TAMBÉM FAZIA PARTE

O funk dos anos 2000 também enfrentou preconceito.

As letras, os bailes, a forma de vestir e a maneira de dançar eram frequentemente questionados.

Mas o movimento resistiu.

E quanto mais era discutido, mais chamava atenção.

O funk mostrava uma realidade que muitas vezes não aparecia nos grandes veículos de comunicação: a cultura produzida nas comunidades do Rio.

O BAILE ERA O ENCONTRO

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Para muitos jovens, o baile era o lugar onde se encontravam amigos, vizinhos, namorados e diferentes grupos.

Era onde a moda aparecia primeiro.

Onde uma dança nova surgia.

Onde um MC podia ser descoberto.

Onde um DJ podia virar referência.

E onde uma música desconhecida podia se transformar em sucesso em uma única noite.

UMA DÉCADA QUE NÃO MORREU

Passaram-se mais de 20 anos.

O funk mudou.

A tecnologia mudou.

Os artistas mudaram.

As plataformas mudaram.

Mas aquela batida continua viva.

Hoje, uma nova geração de MCs ocupa as plataformas digitais e leva o funk para o Brasil e para o mundo. Mas muitos desses caminhos foram abertos por quem estava nos bailes dos anos 1990 e 2000.

DJs, MCs, equipes de som, produtores, dançarinos e público.

Todos ajudaram a escrever essa história.

E talvez seja por isso que, quando alguém coloca uma música daquela época para tocar, acontece algo especial.

Por alguns minutos, o Rio volta aos anos 2000.

Voltam os bailes.

Voltam os amigos.

Voltam as equipes de som.

Voltam os CDs.

Voltam as coreografias.

E volta aquela sensação de que, por uma noite, todo mundo dançava no mesmo ritmo.

Bastidores 360 GIRANDO PELA MEMÓRIA DO RIO

O funk carioca não é apenas uma trilha sonora. É parte da história cultural do Rio de Janeiro.

A DVD 360, da Revista Bastidores 360 Rio, resgata personagens, histórias e momentos que ajudaram a construir a identidade musical e cultural da cidade.

Por Oziel R. Santana — Redator-Chefe da Revista Bastidores 360 Rio.

Porque algumas batidas passam. Outras entram para a história.

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