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“Fácil de Entender”

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Separadas por três décadas, duas versões de uma mesma canção refletem diferentes momentos do Brasil. Lançada em 1996 no álbum “Em Tudo Que É Belo”, do cantor e compositor Jorge Vercillo, “Fácil de Entender” surgiu em um período marcado pela consolidação do pop-MPB e pela expansão do reggae no país. A música atravessou gerações com sua sonoridade influenciada pelo ritmo jamaicano incorporado pelas participações dos cantores Aleh Ferreira e Da Ghama, ex-integrante e fundador do Cidade Negra. Trinta anos depois, a balada retorna em uma releitura na voz de Da Ghama, que lança no dia 20 de março o videoclipe da faixa, conectando a narrativa romântica aos debates contemporâneos sobre diversidade, respeito e combate ao preconceito. A obra chega simultaneamente às plataformas digitais.

A canção voltou ao repertório de Da Ghama no seu álbum “Sinal de Paz” (2020), um dos marcos da sua carreira solo do artista. Nada de surpreendente em a releitura dá um toque ainda mais forte na essência reggae que ajudou a definir a obra. A novidade está no alcance da letra que, através das mensagens audiovisuais ganharam uma dimensão capaz de aproximá-las das discussões sociais mais atuais, como as relações afetivas vividas pela comunidade LGBTQIAPN+. A ideia fica bem evidente neste trecho do hit – “As pessoas têm medo de se abrir. E acabarem se machucando. Eu levei tanto tempo pra falar. Mas agora estou tentando”. A narrativa do passado ganhou novos contornos e soa como um convite à reflexão sobre liberdade emocional e pertencimento.

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O videoclipe, gravado na cidade de Itanhaém, no litoral paulista, conta ainda com a participação especial do cantor Edu Ribeiro, um dos nomes mais carismáticos e expressivos da cena reggae nacional. Acompanhando a leveza da letra e da levada musical, a produção audiovisual aposta em uma estética simples e conceitual.

Os artistas dividem as cenas em um ambiente visual construído a partir de cenários mutáveis que surgem ao redor de uma poltrona vermelha, enquanto paisagens naturais, periferias urbanas e elementos citados na letra, como a lua e o vulcão, aparecem como metáforas visuais da memória afetiva e da intensidade emocional.

Para Da Ghama, a transformação da canção para os dias atuais aconteceu de forma orgânica – tão fácil de entender quanto de explicar. “Esse resgate da década de 90 busca reafirmar o poder da música de atravessar décadas e ressignificar os sentimentos. A gente usou a mesma temática do amor só que transportando para os dias atuais, fazendo um convite à empatia e lembrando que compreender o outro é sempre um gesto simples e cada vez mais necessário no mundo”, conta Da Ghama.

Segundo o cantor, a escolha do dia para o lançamento da obra não por um acaso. “Escolhemos o 20 de março por ser do Dia Internacional da Felicidade. A letra dessa canção tem uma forte conexão com esse sentimento, pois quando conseguimos romper as barreiras do medo e do preconceito para estar ao lado de quem amamos, essa é a maior felicidade da vida”, diz o artista.     

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Girassol em ritmo jamaicano  

Dirigido por Louzi Baptista, o videoclipe gravado em Itanhaém reuniu um elenco formado por artistas da cena LGBTQIAPN+. O casal homoafetivo interpretado por Thaty Fenix e Ojazz protagoniza um encontro que evolui para uma experiência conduzida pela música. A entrega simbólica de um girassol cria a atmosfera romântica e conduz o público a uma dança envolvente que mistura elementos de forró e do reggae maranhense, traduzindo em movimento a emoção da letra.

Intercaladas à narrativa, as cenas de Da Ghama e Edu Ribeiro surgem de diferentes pontos turísticos da cidade, como o mirante da trilha do Morro do Sapucaitava, a pista de skate da Praia do Cibratel, o Mirante da Praia do Sonho e a roda-gigante da Boca da Barra. Ao escolher essas locações, o diretor buscou reforçar a estética periférica, a identidade cultural local e as paisagens naturais, relacionando a beleza da natureza à diversidade do amor.

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